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27 Dez 2018 22h55

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ENFIM, UMA BOA NOTÍCIA

Quando o Natal é bom as boas notícias são bem percebidas. Há melhoras no ambiente econômico e social, mas percebe-se os riscos de má conduta do congresso. O Brasil segue otimista para a virada do ano.

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Foto: pxhere

O dia é bom: a ceia de Natal normalmente é caprichada, os religiosos ou foram à Missa do Galo ou a viram pela TV, houve presentes, famílias se reuniram (claro, com brigas, mas isso faz parte: acaba se incorporando ao folclore da festa). Há boa disposição, portanto. E a boa disposição faz com que a boa notícia possa ser bem recebida, sem o mau humor habitual de quem se habituou a ouvir lorotas. A notícia: embora a situação econômica seja ainda muito ruim, é bem melhor do que já foi. E indica a possibilidade real de que possamos chegar a um ritmo aceitável de crescimento e acelerar a criação de empregos. O desemprego é de 12%, altíssimo, mas há um ano o número de desempregados era quase 1,5 milhão superior ao atual. O PIB, produto interno bruto, cresce a lentíssimos 1,3% no ano, quase nada diante dos 7% de queda com Dilma. Ainda se gasta muito, mas o déficit público está longe do buraco de 3,7% do PIB na época do impeachment. A inflação, que com Dilma flertava com 10%, está dentro da meta de 4%.

 

Falta muito: é preciso reduzir despesas, baixar os gastos da Previdência, negociar com o Congresso a aprovação de reformas importantes, verificar se é politicamente possível mexer na estrutura tributária na hora em que os Estados estão sem dinheiro e temem a possibilidade de perder receita. Falta dar impulso à indústria, estudar como outros setores da economia poderão repetir o êxito do agronegócio – quase tudo, enfim. Mas se vê que há saída.

 

A má notícia

 

Há saída, claro, se houver esforço conjunto para conter despesas. Estão os políticos tentando economizar? Não: há dias, o Congresso aprovou verba de R$ 927,7 milhões, em 2019, para o Fundo Partidário. De 1996 para cá, a quantia destinada aos partidos cresceu perto de 500%. O Fundo é formado por recursos do Orçamento, mais multas eleitorais. Seu crescimento explica a febre de criação de partidos políticos no país. Em 1996, segundo levantou o O Estado de S. Paulo, havia 19 partidos com acesso ao Fundo Partidário. Hoje, são 30. Ter um partido vale a pena: dá dinheiro. A propósito, o Fundo existe para custear a estrutura dos partidos, mas é usado na eleição.

 

Diferente, mas igual

 

Como agora existe a cláusula de barreira (um número mínimo de votos para que o partido seja representado no Legislativo, e o dinheiro do Fundo só é dado a quem tenha representantes), muitas legendas devem se fundir, para que continuem a receber suas verbas. Reduz-se assim o número de partidos? Talvez – mas há também os partidos a ser fundados. A disputa no PSDB entre cabeças brancas (que querem o partido na oposição, embora não sistemática) e os cabeças pretas (que querem um partido bolsonarista) deve terminar com o atual PSDB nas mãos da facção Dória e a criação de um novo partido por cabeças brancas como Fernando Henrique, Alckmin, Serra, Tasso, Goldman e outros – como Paulo Hartung, do Espírito Santo, que quer um partido centrista, desejo também de Fernando Henrique. E, não esqueçamos, o Partido Novo estreou com sucesso, elegendo até mesmo um governador. Seu exemplo deve estimular a criação de outros partidos.

 

A boa idéia

 

O deputado Alceu Moreira, do MDB gaúcho, presidente da FPA, Frente Parlamentar da Agricultura, disse que não foi difícil emplacar a candidata do grupo ao Ministério da Agricultura. Em entrevista a Os Divergentes(https://osdivergentes.com.br), contou que Bolsonaro pediu ao grupo uma lista com três nomes, para que ele fizesse a escolha. A FPA atendeu ao pedido: os três nomes eram 1) Tereza; 2) Cristina; 3) Corrêa da Costa Dias. Era o nome da deputada Tereza Cristina, então presidente do grupo, em três pedaços. Bolsonaro gostou da ideia bem-humorada e nomeou a indicada.

 

A má idéia

 

Talleyrand, o grande diplomata francês que conseguiu ser ministro no Reinado e na República, com Napoleão e com os inimigos de Napoleão, dizia que a palavra foi dada ao homem para disfarçar seu pensamento. Em boa parte, diplomacia é isto: a troca de confrontos armados por negociações em que as palavras, por definição, não podem transmitir agressividade.

 

O Brasil age ao contrário, ao retirar o convite para que Cuba, Venezuela e Nicarágua assistam à posse de Bolsonaro, por condenar seus regimes ditatoriais. Tudo bem – e a China, o maior parceiro comercial do Brasil, será uma democracia? Alguém irá “desconvidá-la”? E a Arábia Saudita, o Irã, a Guiné Equatorial, o Sudão, serão por acaso democracias? No fundo, com o sinal trocado, é a mesma posição de Lula ao apoiar abertamente a eleição de Evo Morales na Bolívia, também por motivos ideológicos.

 

O mundo como ele é

 

O futuro chanceler, Ernesto Araújo, disse que o Governo “terá postura firme e clara na defesa da liberdade”. Um belo pensamento, digno de aplauso. Mas de quem é que o Brasil vai comprar petróleo quando precisar?

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