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13 Fev 2019 21h45

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Cai o rei de espadas

Cai o rei de espadas. Cai o rei de ouros. Cai o rei de paus. Cai não fica nada.

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Foto: acrítica

Assim como no refrão da música de Ivan Lins (com espetacular interpretação da também espetacular Elis Regina ao final da coluna) o Brasil está caindo aos poucos e aos pedaços.

 

Aos poucos, porém causando milhares de vitimas.

 

Vitimas que perderam a vida, vitimas porque perderam entes queridos, vitimas porque perderam bens material – muitas vezes aquilo que é o fruto de uma vida inteira de trabalho e sacrifício.

 

Ou simplesmente vitimas que não foram atingidas diretamente pelas tragédias, mas que têm sentimento e que sentem que o Brasil vai sendo destruído pouco a pouco, vencido pela ganância, pela cobiça, pela ambição desmedida, pela mira ao lucro fácil na maioria das vezes ilícito.

 

São tragédias que vão se repetindo, ceifando vidas e banalizando o valor de uma vida.

 

Foi assim que a boate Kiss, acontecida há cinco anos e que matou 242 pessoas.

 

Culpados? Responsáveis? Até hoje nada.

 

Há três anos, aconteceu o desmoronamento da mina da Samarco, em Mariana, com a destruição de um povoado e a morte de 19 pessoas.

 

Além da perda da vida, os sobreviventes perderam casas, quintais onde tinha suas pequenas plantações, a escola da comunidade – enfim, perderam a vida que viviam.

 

Culpados? Responsáveis? O processo se arrasta dolorosamente pelos intrincados caminhos da Justiça brasileira.

 

Apenas três anos depois, rui a barragem de mineração da companhia Vale, na outrora pacífica e pacata cidade de Brumadinho, nas montanhas de Minas Gerais.

 

Cerca de 160 corpos já foram encontrados e outros 160 estão desaparecidos.

 

Mais uma vez, vidas, casas, bairros, quintais foram arrastados pela lama movida pela irresponsabilidade humana.

 

Os corpos encontrados já estão sendo enterrados, minimizando a dor de amigos e parentes. Centenas de outros parentes e amigos ainda vivem a angustia da espera, da dúvida.

 

Agora, 10 garotos entre 14 e 16 anos perderam a vida no alojamento do Centro de Treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu.

 

O caminho que vai se vislumbrando é conhecido: responsáveis e culpados (se houver) não serão conhecidos.

 

O Flamengo, time milionário que acaba de investir mais de R& 100 milhões em contratações de reforços para essa temporada, procura se eximir de tudo. Tirar o seu da reta.

 

Apresenta laudos que, segundo ele, atestam a legalidade do alojamento, o perfeito funcionamento do ar condicionado que pode ter dado causa a tudo – tudo, apesar das 31 multas aplicadas pela Prefeitura e do laudo do corpo de Bombeiros segundo o qual no lugar do alojamento deveria ter um estacionamento.

 

Tudo ilegal.

 

Mas o Flamengo parece tratar o assunto como se fosse um simples jogo de futebol perdido e a culpa é do juiz.

 

Imediatamente, não se sabe por criação de quem, surgiu campanhas nas redes sociais com um #forçaflamengo .

 

Força como, cara pálida?

 

O que se deve pedir e exigir é #responsabilidadeflamengo .

 

Claro que não estou aqui pedindo cabeças, nem mesmo acusando o Flamengo de culpa, de dolo.

 

Mas, com certeza, responsabilidade sim.

 

É preciso, sim, que o Mengão de tantas glórias e tradição assuma a responsabilidade sobre o que aconteceu. Amparar as famílias, oferecer conforto espiritual e material é o mínimo que se exige.

 

Porque pagar vidas, é impossível.

 

Espera-se, também, das chamadas autoridades competentes que providências preventivas sejam tomadas.

 

Que boates, casas de espetáculos e que tais tenham seus alvarás de funcionamento fornecidos com mais rigor e que haja fiscalização.

 

Que as centenas de minas, como a de Brumadinho, existentes no Brasil sejam vistoriadas rigorosamente.

 

Que os times de futebol tenham seus alojamentos fiscalizados.

 

O que se pede é simples: que haja responsabilidade.

 

Veja Cartomante, de Ivan Lins, com Elis Regina.

https://youtu.be/3_OSPpbaFvA

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